
Por Ana Guastaferro
Psicóloga · CRP 06/228610
Publicado em 22/06/2026 · Atualizado em 15/07/2026
A depressão atípica se distingue pela reatividade de humor: a pessoa melhora diante de eventos positivos, mas o quadro depressivo retorna. Esse padrão torna o diagnóstico mais difícil do que parece.
Você sabia que existem diferentes tipos de depressão?
Transtorno depressivo maior, distimia, depressão ansiosa, depressão pós-parto, depressão secundária, depressão sazonal, depressão endógena, depressão psicótica, depressão bipolar e a depressão atípica. Conhecer essa variedade de condições é importante para saber identificar quando você ou uma pessoa próxima e querida está passando pelo problema. Em nosso blog, contamos com uma série que aborda todos esses tipos para que você possa conhecê-los melhor, sendo que no post de hoje falaremos sobre a depressão atípica.
Por isso, continue acompanhando para saber mais a respeito do assunto, como causas, sintomas e tratamentos. Boa leitura!
A depressão atípica se caracteriza por um estado depressivo em que há períodos de melhora do humor e dos demais sintomas do quadro. Isso significa que, se eventos positivos acontecem na vida da pessoa, ela costuma reagir bem. Entretanto, com o tempo, o estado depressivo pode retornar. Convém mencionar que essa reatividade de humor não significa que o indivíduo esteja se sentindo bem de verdade. Afinal, ele pode se demonstrar alegre em alguns momentos, quando, na verdade, está apenas camuflando seus sentimentos. Por isso, a depressão atípica, também conhecida como depressão sorridente, pode ser de difícil diagnóstico, uma vez que a pessoa consegue esconder suas emoções.
Não existe uma única causa que justifique o surgimento da depressão atípica. Contudo, questões genéticas e ambientais são as que mais contribuem para o quadro. Além disso, existem alguns fatores de risco que podem contribuir para o desencadeamento desse tipo de depressão, a exemplo de:
Como já mencionamos, a depressão atípica se diferencia da depressão “tradicional”, especialmente porque, nela, não costuma estar em evidência sentimentos relacionados à tristeza profunda, como as crises de choro ou o isolamento social. Na realidade, nesse tipo de depressão, há a reatividade de humor – que são justamente as demonstrações falsas de felicidade. Mas, além desse, existem outros sintomas característicos, como:
No entanto, para descartar outros problemas, ainda podem ser realizados testes e exames físicos no paciente, como os de sangue. É importante destacar, ainda, o papel da família e dos amigos nesse processo de diagnóstico. Afinal, a pessoa que sofre com a depressão atípica, justamente por mascarar os sintomas, tende a não procurar ajuda profissional por conta própria. Portanto, é muito importante que a rede de apoio esteja presente para dar um direcionamento de forma responsável e acolhedora.
Sim, a depressão atípica tem cura. Contudo, é preciso um tratamento adequado e contínuo para que haja a remissão dos sintomas e o indivíduo desfrute de qualidade de vida.
Vale dizer ainda que, mesmo quando curadas, recomenda-se que as pessoas que já tiveram depressão (de qualquer tipo) continuem as terapias e mantenham hábitos saudáveis para evitar a reincidência da condição.
O tratamento da depressão atípica deve ser multidisciplinar, sendo as principais frentes:
A psicoterapia é indispensável para quem sofre com qualquer tipo de depressão, incluindo a atípica. Afinal de contas, por meio do estímulo a reflexões, ela auxilia o paciente a identificar e a mudar os seus padrões de comportamento e pensamentos disfuncionais.Além disso, o autoconhecimento é trabalhado nas sessões, o que contribui para que o indivíduo reconheça gatilhos que desencadeiam o seu mau humor.Por fim, mas não menos importante, o psicólogo ainda pode ir mais a fundo ao tentar descobrir a causa da depressão atípica. Nesse sentido, caso seja um fator ambiental, como um trauma da infância, por exemplo, esse será tratado também.
O tratamento medicamentoso também é comumente indicado para controlar os sintomas da depressão atípica e tratar os fatores bioquímicos dessa condição. Para tal, é necessário que um médico psiquiatra prescreva as medicações corretas. Nunca tome por conta própria!
Essa é uma outra frente necessária no tratamento da depressão atípica. O paciente precisa alterar seus hábitos e o seu estilo de vida para melhorar o humor, diminuir a irritabilidade e tratar os outros sintomas da condição. Isso tem a ver com o autocuidado!
Portanto, se você sofre com essa condição, deve:
Contar com uma rede de apoio formada por amigos e familiares que querem o seu bem e que te transmitam confiança é indispensável para esse processo de reabilitação. Sim, ter pessoas para te ouvir sobre os problemas que te afligem, para te incentivar e te acompanhar em momentos-chave do tratamento e/ou para te fazer companhia em momentos dolorosos e desafiadores é muito importante. Sendo assim, construa uma rede de apoio forte e duradoura. Mas, atenção: também seja um ponto de apoio para essas pessoas quando elas precisarem. Reciprocidade é tudo!