
História de Enzo Monteiro • 07 de abril de 2026
Técnica inovadora utiliza proteína comum no sangue para tornar o cérebro transparente e permitir o monitoramento da atividade neural profunda
(Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digital)
Uma das maiores dificuldades do estudo sobre o corpo humano pode ter sido solucionada, e a resposta estava mais perto do que se esperava. Recentemente, uma pesquisa realizada pela Universidade de Kyushu, no Japão, utilizou proteínas do sangue humano para tornar a atividade cerebral temporariamente mais visível. Com isso, foi possível analisar a atuação neural do cérebro sem que ela fosse interrompida.
A análise, publicada pela revista Nature Methods, utilizou a albumina, uma proteína comum no sangue humano, para melhorar a passagem da luz e permitir uma visualização mais clara de regiões cerebrais antes pouco acessíveis.
Para quem tem pressa:

Aumento da visualização da ativdade cerebral após a utilização da albumina. Imagem: Shigenori Inagaki e Takeshi Imai – Kyushu University/Divulgação
O cérebro é um dos órgãos mais importantes do corpo humano e um dos mais difíceis de ser estudado. Processos cerebrais, como a memória, por exemplo, estão diretamente ligados à interação entre neurônios localizados em áreas profundas. Essas regiões são de difícil visualização, já que a iluminação artificial não as alcança com facilidade, dificultando estudos mais aprofundados.
Buscando analisar essas atividades com mais precisão, os pesquisadores testaram substâncias que permitissem uma maior transparência e encontraram a resposta em um dos compostos mais comuns do sangue: a albumina. Ao adicionar a proteína no líquido em que o cérebro está imerso, o órgão tornou-se temporariamente translúcido.
“Eu testei três ou quatro vezes antes de acreditar. De todas as coisas possíveis, nunca imaginamos que a solução viria disso”, afirmou Shigenori Inagak, pesquisador do estudo.

Imagem: Kateryna Kon/Shutterstock
Em seguida, a solução, nomeada de SeeDB-Live, foi submetida a testes. Os cérebros de camundongos utilizados nos experimentos levaram cerca de uma hora para ficarem mais visíveis, possibilitando uma análise profunda. Nos roedores vivos, a substância tornou os sinais do órgão mais luminosos, auxiliando em seu mapeamento.
Para os cientistas envolvidos, essa descoberta abre uma possibilidade promissora: analisar o cérebro humano em tempo real. Essa técnica auxiliaria em investigações mais específicas sobre o funcionamento do órgão e na utilização de “minicérebros” feitos em laboratório para pesquisar sobre doenças e desenvolver novos medicamentos.
Fonte: Olhar Digital