
• 23 de setembro de 2026
Muito além do papel de petisco, o amendoim pode ser um aliado da saúde cerebral. É o que aponta um estudo publicado na revista científica Clinical Nutrition, que encontrou indícios de que o consumo regular está associado a melhorias em aspectos da função cognitiva, como a memória, além do fluxo sanguíneo cerebral.

Amendoim pode ser aliado do cérebro Foto: yiam/Adobe Stock
Os resultados reforçam evidências já observadas sobre os benefícios dos nutrientes, entre os quais gorduras insaturadas, vitaminas, minerais e compostos de ação antioxidante e anti-inflamatória. O estudo destaca os polifenóis, especialmente os flavonoides, como potenciais aliados da saúde cerebral. No organismo humano, eles neutralizam os radicais livres, moléculas que em excesso causam danos celulares.
Outro destaque no artigo é a L-arginina, partícula proteica crucial para a produção de óxido nítrico, que contribui para a vasodilatação e a regulação da pressão arterial, favorecendo a circulação sanguínea. Entre os neuroprotetores e aliados da cognição, vale mencionar a vitamina E e sais minerais como o magnésio, o potássio e o zinco. O amendoim ainda oferta fibras, as guardiãs da microbiota intestinal.
O amendoim se desenvolve embaixo da terra, sendo que cada vagem acondiciona de uma a cinco sementes. Cada um desses grãos é coberto por uma película de cor que varia entre bege, marrom e vermelho. Por concentrar grande quantidade de gorduras benéficas, o amendoim costuma ser agrupado entre as oleaginosas, junto das castanhas, amêndoas e nozes.
Botanicamente, entretanto, ele faz parte do grupo das leguminosas, que inclui os feijões, as ervilhas, entre outras espécies que crescem em vagens e são ricas em proteína, nutriente associado à manutenção dos músculos e ao aumento da saciedade. De nome científico Arachis hypogaea, a espécie tem origem sulamericana e relatos apontam que foi domesticada no Brasil, por volta de 2.000 a.C..
Os grãos torrados podem ser incluídos nos lanches do dia a dia, e uma sugestão é priorizar as versões recobertas com a pele supernutritiva. “Uma porção de 30 gramas por dia, aproximadamente um punhado, pode ser considerada adequada para a maioria das pessoas”, orienta a nutricionista Susane Wolfarth Rovedder, do Einstein Hospital Israelita. A quantidade varia conforme o perfil e o estilo de vida — mas a moderação é essencial, já que se trata também de um alimento calórico.
No estudo holandês, utilizou-se o dobro do recomendado. Mas vale pontuar que, apesar dos resultados animadores, a pesquisa não deve ser parâmetro. Entre as limitações, estão o número pequeno de idosos e o fato de todos serem saudáveis.
“Portanto, não podemos extrapolar os achados para outras faixas etárias ou para indivíduos com comorbidades, como doenças cardiovasculares ou diabetes”, observa Rovedder. E lembre-se da máxima: nenhum alimento, sozinho, faz milagre. Todo benefício nutricional depende também de hábitos saudáveis.
Na hora da compra, vale ter atenção. “Opte por produtos sem excesso de sal, açúcar ou aditivos, de marcas confiáveis”, sugere a nutricionista. Atenção com a embalagem, que precisa estar íntegra, acondicionada em local adequado, e ao prazo de validade. Outra recomendação é procurar pelo selo “Abicab”, da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas. “Esse selo identifica empresas participantes de um programa de controle e segurança alimentar, com auditorias e monitoramento voltados à redução do risco de contaminação por aflatoxinas”, explica Susane Rovedder.
Quanto à pasta de amendoim, prefira versões com poucos ingredientes. Já sobre derivados como a paçoca e o pé-de-moleque a parcimônia cai bem. “Eles fazem parte da nossa cultura alimentar e podem ser consumidos ocasionalmente, em porções moderadas, dentro do equilíbrio”, orienta a especialista do Einstein.