
fevereiro 26, 2026
A professora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), vem se destacando por sua pesquisa inovadora sobre a polilaminina, um tratamento que promete revolucionar a abordagem de lesões medulares. Em uma participação marcante no programa Roda Viva, na TV Cultura, no dia 23 de fevereiro, a docente compartilhou detalhes sobre suas descobertas e as aplicações práticas da polilaminina. Como chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, Tatiana foi convidada a discutir sua pesquisa respondendo a jornalistas e universitários.
Durante o programa, que marcou a estreia do jornalista Ernesto Paglia como apresentador, a pesquisadora apresentou a polilaminina usando a analogia do “colar de pérolas”, facilitando a compreensão de suas complexidades. Segundo Tatiana, a polilaminina é uma versão sintetizada em laboratório da laminina, uma proteína essencial para a manutenção das células nervosas. “No laboratório, utilizei a laminina que é comercializada em potinhos. Para utilizá-la, as empresas a fracionam, retirando-a da placenta. Ao adicionar essa substância em culturas de células na pesquisa com lesões medulares em ratos, tive uma epifania ao visualizar a proteína formando uma estrutura semelhante a um colar de pérolas. Isso me levou a questionar: ‘será que a pérola tem funções diferentes do colar de pérolas?’ E assim, começou a exploração das propriedades dessa estrutura”, explica a professora.
O programa também teve uma interação dinâmica com o público, onde questões feitas por espectadores foram direcionadas a Tatiana. Entre os depoimentos, destacou-se o de Bruno Freitas, um paciente que se beneficiou dos ensaios clínicos com a polilaminina. A conversa abordou tópicos cruciais, como os métodos de pesquisa, as indicações clínicas do uso da polilaminina, as barreiras legais para a obtenção do tratamento, além do impacto da divulgação científica e a importância do financiamento para a pesquisa.
A popularidade repentina de Tatiana, embora um desafio na sua rotina, traz importantes reflexões sobre o financiamento da pesquisa e a valorização das universidades públicas. “Embora não tenha almejado essa visibilidade, é inegável que ela ajuda a trazer à tona discussões cruciais sobre o desenvolvimento da ciência no Brasil. O país ainda tem muito a avançar nessa área”, afirma a pesquisadora, frequentemente mencionada como uma forte candidata ao prêmio Nobel, um reconhecimento que, segundo ela, não deve ofuscar a missão de contribuir para o bem coletivo.
A postura de Tatiana durante a entrevista reflete um compromisso genuíno com a ciência e a educação pública. Logo no início da conversa, Paglia relatou que a professora pediu que a entrevista não fosse uma mera sessão de elogios. “Estamos aqui para atender ao seu pedido com questionamentos pertinentes”. Esse alinhamento entre a pesquisa, a prática e o interesse público é um testemunho do caráter da pesquisadora, que se preocupa em assegurar que a aplicação da polilaminina, especialmente nas intervenções intramedulares, seja realizada por profissionais devidamente treinados.
A história da polilaminina é um exemplo claro de como a ciência pode avançar a partir de inovações simples, mas significativas, que têm o potencial de transformar vidas. Tatiana Sampaio, com seu trabalho, não só representa a vanguarda da pesquisa biomédica brasileira, mas também inspira um novo modelo de ciência que se comunica efetivamente com a sociedade.