Yuri Ferreira
20/10/2025
A má qualidade do sono pode estar associada a um envelhecimento cerebral mais rápido, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Karolinska, na Suécia. Os resultados foram publicados na revista científica eBioMedicine. O trabalho avaliou mais de 27 mil voluntários britânicos, com idades entre 40 e 70 anos, submetidos a exames de ressonância magnética. A partir de mais de mil marcadores cerebrais, os cientistas estimaram a chamada “idade cerebral” dos participantes e a compararam com a idade cronológica.

O hábito comum que pode deixar seu cérebro mais velho, segundo a ciência
Além das imagens, os pesquisadores analisaram cinco indicadores de sono relatados pelos próprios voluntários, entre eles insônia, sonolência diurna e ronco. Os resultados mostraram que, para cada ponto a menos em uma escala de “sono saudável”, a idade estimada do cérebro era, em média, seis meses mais avançada. Em alguns casos, o envelhecimento aparente foi de até um ano em relação à idade real. Segundo a pesquisadora Abigail Dove, autora do estudo, o sono inadequado pode contribuir para mudanças cerebrais precoces. “Embora o envelhecimento do cérebro seja inevitável, nossos comportamentos e estilos de vida podem influenciar esse processo”, afirmou. Os cientistas também coletaram amostras de sangue e identificaram que processos inflamatórios explicam cerca de 10% da relação entre o sono e o envelhecimento cerebral. Estudos anteriores já haviam mostrado que distúrbios do sono elevam a inflamação no organismo.
Outros mecanismos possíveis também foram citados, como falhas no sistema de limpeza de resíduos do cérebro durante o repouso e impactos cardiovasculares decorrentes do sono ruim. A equipe reforça que garantir boas noites de descanso deve ser encarado como uma estratégia de prevenção para manter a saúde cerebral por mais tempo. “Priorizar o sono é essencial”, concluiu Dove.