Por Poliana Casemiro, g1
Só nos três primeiros meses desse ano, mais de 20 mil pessoas morreram em decorrência de AVC.
O sintoma mais comum do sangramento cerebral é dor de cabeça intensa e abrupta — Foto: BBC/GETTY IMAGES
Eduardo conta que já tinha dores de cabeça, mas, dois dias antes do AVC, sentiu uma enxaqueca intensa e com aura, em que a pessoa vê pontos brancos e flashes de luz durante a crise. Como nunca tinha tido esse tipo de sintoma, decidiu procurar atendimento médico.
🔴 Ele foi liberado com alguns remédios para a dor, mas, dois dias depois, teve uma nova crise — dessa vez acompanhada por perda temporária de visão, de audição e de força nos braços. Era um AVC.
O caso dele foi de um AVC isquêmico, quando há a obstrução de uma artéria cerebral, interrompendo o fluxo de sangue. Esse é o tipo mais comum entre a população e o que mais tem sido registrado em pacientes mais jovens.
“Passei cinco dias internado na UTI, fazendo exames. Não tive sequelas graves, mas acho que isso tem a ver com a rapidez com que fui ao hospital. Depois de ser liberado algumas vezes, pesquisei sobre o que estava sentindo e fiquei mais atento ao meu corpo. Sabia que tinha alguma coisa errada”, explica.
Durante a internação, exames de imagem detalhados ajudaram a esclarecer o quadro. Os médicos identificaram uma síndrome da vasoconstrição cerebral reversa (SVCR), condição caracterizada por espasmos súbitos nas artérias do cérebro, que reduzem o fluxo sanguíneo.
Além disso, os exames mostraram que ele já havia sofrido um AVC anteriormente, provavelmente ainda mais jovem, sem perceber.
“Fiz o vídeo para alertar as pessoas sobre os sinais, para que fiquem mais atentas. É muito comum falar de dor de cabeça e se automedicar sem procurar um médico. De repente, uma coisa grave dessas pode acontecer”, diz.
O médico neurocirurgião, Orlando Maia, explica que o aumento de casos em pessoas mais jovens tem relação direta com mudanças no estilo de vida, combinadas a fatores genéticos.
"A gente tem visto um movimento de aumento no uso de hormônios anabolizantes e isso também é um fator de risco", explica o médico.
Para além disso, ele cita que estresse crônico, alimentação inadequada e privação de sono têm antecipado o surgimento de doenças como hipertensão e diabetes — principais fatores de risco para o AVC.
Quando o episódio acontece, a rapidez no atendimento é decisiva. A cada minuto sem oxigenação adequada, milhares de neurônios são perdidos — e o impacto pode ser permanente.