A fibrilação atrial (FA) é a arritmia cardíaca mais comum, caracterizada por batimentos rápidos e irregulares dos átrios, aumentando o risco de AVC e outras complicações cardíacas.
O que é
A fibrilação atrial é uma taquiarritmia supraventricular em que os átrios do coração apresentam atividade elétrica caótica, com frequência de 300 a 600 batimentos por minuto, resultando em contrações atriais ineficazes e perda da sístole atrial. O nó atrioventricular filtra parte desses impulsos, permitindo que os ventrículos batam de forma irregular, geralmente entre 100 e 170 bpm, mantendo a capacidade de bombeamento, mas de forma menos eficiente.
Causas e fatores de risco
A FA pode ocorrer devido a alterações estruturais ou funcionais do coração, incluindo:
- Hipertensão arterial e doença coronariana
- Insuficiência cardíaca e doenças valvulares
- Hipertireoidismo e apneia obstrutiva do sono
- Consumo excessivo de álcool, obesidade e doenças pulmonares crônicas
- Idade avançada, histórico familiar e cirurgias cardíacas
Sintomas
Os sintomas variam conforme a frequência ventricular e podem incluir:
- Palpitações e batimentos irregulares
- Fadiga, fraqueza e falta de ar
- Tontura, pré-síncope ou síncope
- Dor torácica em casos de isquemia associada
Alguns pacientes podem ser assintomáticos, sendo a FA detectada apenas em exames de rotina, como o eletrocardiograma (ECG) .
Diagnóstico
O diagnóstico é confirmado principalmente pelo ECG de 12 derivações, que mostra:
- Ausência de onda P
- Presença de ondas f (atividade elétrica atrial caótica)
- Intervalos R-R irregulares (ritmo irregularmente irregular),
Exames complementares incluem ecocardiograma, avaliação de função tireoidiana e exames laboratoriais para identificar causas subjacentes .
Complicações
A principal complicação é o acidente vascular cerebral (AVC), devido à formação de coágulos nos átrios que podem se deslocar para o cérebro ou outros órgãos. Outras complicações incluem insuficiência cardíaca, isquemia miocárdica e trombose. periférica .
Tipos de fibrilação atrial
- Paroxística: episódios intermitentes, < 7 dias
- Persistente: > 7 dias, requer intervenção
- Persistente de longa duração: > 12 meses
- Permanente: FA contínua, sem tentativa de reversão
Tratamento
O manejo da FA segue a estratégia ABC (Atrial fibrillation Better Care):
- Anticoagulação: para prevenir AVC, baseada no escore CHA₂DS₂-VASc. Anticoagulantes orais diretos (DOACs) são preferidos para FA não valvar; varfarina é indicada em FA valvar .
- Controle de frequência (Rate Control): manter FC < 110 bpm em repouso, usando betabloqueadores, bloqueadores de canal de cálcio não diidropiridínicos ou digoxina .
- Controle de ritmo (Rhythm Control): restauração do ritmo sinusal em pacientes sintomáticos ou jovens, via cardioversão elétrica ou farmacológica, antiarrítmicos (amiodarona, propafenona) ou ablação por cateter
- Manejo de fatores de risco: controle de hipertensão, diabetes, obesidade, apneia do sono e cessação de álcool/tabaco .
Prevenção e estilo de vida
- Manter pressão arterial, colesterol e glicemia controlados
- Evitar álcool, tabaco e excesso de cafeína
- Praticar atividade física regular
- Manter peso saudável e sono adequado
A fibrilação atrial é uma condição grave, mas tratável, e o acompanhamento médico regular é essencial para reduzir riscos de AVC e complicações cardíacas.