Ninguém nasce afásico. A pessoa pode se tornar afásica após uma lesão cerebral, geralmente no hemisfério cerebral esquerdo, causada por um Acidente Vascular Cerebral (AVC), um Traumatismo Cranioencefálico (TCE), um Tumor Cerebral, uma anóxia ou hipóxia cerebrais (ausência ou diminuição da oxigenação cerebral).
AVC, TCE e Tumor Cerebral são causas da afasia
Acidente Vascular Cerebral – AVC
O AVC se caracteriza pelo aparecimento repentino de um problema neurológico focal – perda de movimentos, perda da fala, alterações visuais – determinado por uma lesão cerebral secundária à alteração do fluxo de sangue no cérebro. A alteração do fluxo sanguíneo pode causar lesões cerebrais de diferentes extensões e gravidades, temporárias ou permanentes, em determinada área do cérebro. O AVC pode ser causado por oclusão (entupimento, bloqueio ou obstrução) de um vaso sanguíneo – AVC isquêmico (AVCI) ou por ruptura (rompimento, sangramento) de um vaso sanguíneo – AVC hemorrágico (AVCH).
Traumatismo Cranioencefálico – TCE
Apesar dos ossos do crânio – espessos e duros – protegerem o cérebro, fortes golpes ou quedas podem afetar tanto o crânio como o cérebro e os vasos sanguíneos que o irrigam, causando um Traumatismo Cranioencefálico (TCE). Vários são os mecanismos responsáveis pelo TCE: contusões, perfurações, fraturas de crânio, movimentos bruscos de aceleração e desaceleração da cabeça, estiramento da massa encefálica, dos vasos intracranianos e das meninges (membranas que revestem o cérebro) que causam lesões no cérebro. Os acidentes de trânsito são a principal causa de lesão cerebral no TCE.
Tumor Cerebral
A Afasia pode ser resultante de Tumor Cerebral dependendo da localização e do tamanho do tumor no cérebro e do grau de comprometimento do tecido cerebral. É difícil fazer o diagnóstico precoce de vários tipos de tumores cerebrais, porque os primeiros sintomas são variáveis e muitas vezes se confundem com sintomas de outras doenças. Os sinais clínicos e sintomas nos casos de Tumor Cerebral aparecem gradualmente, diferentemente dos casos de Acidente Vascular Cerebral ou Traumatismo Cranioencefálico, em que os sinais clínicos na sua maioria são súbitos, ou seja, aparecem de repente.
Afasia por Acidente Vascular Cerebral - AVC
Acidente Vascular Cerebral Isquêmico - AVCI
Bloqueio ou obstrução de um sanguíneo que irriga o cérebro causando uma lesão cerebral.
Ocorre falta de oxigênio no cérebro com a redução do fluxo de sangue cerebral por bloqueio ou obstrução de um vaso sanguíneo que irriga o cérebro, o que causa a lesão. 
Quando o tecido cerebral é privado dos nutrientes – principalmente do oxigênio – indispensáveis ao metabolismo de suas células (isquemia), para além de 24 horas, ocorre um sofrimento celular que, conforme sua intensidade, leva à alteração das funções neurológicas. Podem ocorrer lesões definitivas e irreversíveis do cérebro que caracterizam o Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCI). O AVCI pode ocorrer por trombose cerebral ou por embolia cerebral.
Se a privação for de curta duração – menos de 24 horas – os sintomas como alterações na visão, dificuldades para falar, formigamento ou adormecimento de um membro ou parte do corpo etc., aparecem e regridem rapidamente: a alteração é considerada reversível e o AVC é chamado de Acidente Isquêmico Transitório (AIT).
AVCI: TROMBOSE CEREBRAL
A trombose cerebral pode ser definida pela formação ou desenvolvimento de um coágulo de sangue ou trombo no interior das artérias cerebrais ou de seus ramos que impedem a passagem total ou parcial do sangue. A trombose pode ocorrer nas artérias (trombose arterial) e nas veias (trombose venosa). Os trombos resultam da aderência e agregação plaquetária, de alterações na coagulação do sangue, que fica mais grosso. 
AVCI: EMBOLIA CEREBRAL
A embolia cerebral é um processo em que a oclusão da artéria se dá por um coágulo ou êmbolo que se solta do coração ou da parede do vaso em que se originou e viaja pela corrente sanguínea, se deslocando até as artérias cerebrais. Estes coágulos circulam dentro dos vasos sanguíneos e, ao encontrar um vaso mais estreito ou uma placa de gordura (ateroma), entopem a artéria, interrompendo a circulação do sangue. O ateroma ou placa de gordura ocorre devido ao acúmulo de colesterol nas paredes das artérias, causando um estreitamento ou estenose da artéria (processo conhecido como aterosclerose). A formação de êmbolos está associada a doenças cardiovasculares (fibrilação atrial, arritmia, etc.).

Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico - AVCH
Ruptura de um sanguíneo cerebral provocando hemorragia e lesão cerebral
No AVC Hemorrágico – o popular Derrame – ocorre extravasamento de sangue para fora dos vasos sanguíneos cerebrais (sangramento) devido à ruptura do vaso sanguíneo como, por exemplo, nos casos de aneurisma cerebral (dilatação ou malformação arterial), desencadeado geralmente por Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS – pressão alta). O aumento crônico da pressão nas artérias leva a uma fragilização ou enfraquecimento das paredes arteriais, resultando em sua ruptura e consequente hemorragia. 
Quando ocorre a ruptura de um vaso, o sangue pode “derramar” para o interior do cérebro, provocando uma hemorragia intracerebral, ou pode ir para o espaço cheio de fluído entre o cérebro e a membrana que recobre o cérebro (membrana aracnoide), provocando uma hemorragia subaracnóidea. A hemorragia intracerebral provoca uma lesão (hematoma cerebral) que leva a sinais e sintomas neurológicos secundários. Na hemorragia subaracnóidea, ao contrário, não se observam sinais de sofrimento cerebral, somente se houver complicações posteriores.
Sinais e sintomas de AVC
Saber reconhecer os SINAIS e os SINTOMAS de um AVC pode ser crucial para a tomada de decisões que pode salvar a vida de uma pessoa, diminuindo a gravidade da lesão cerebral e, consequentemente, a gravidade da afasia.
Identificando e reconhecendo os sinais e sintomas de AVC
Identificar e reconhecer os Sinais e Sintomas de AVC permite a ação eficiente se a pessoa chegar ao hospital a tempo de receber um trombolítico (terapia trombolítica), que irá diminuir ou “desmanchar” o trombo, restaurando, assim, o fluxo de sangue, e as sequelas do AVC – como a afasia – podem ser bem menos graves.
- Alteração da sensibilidade (adormecimento, formigamento) em face, braços ou pernas (especialmente em um lado da face ou do corpo): hemiparestesia
- Diminuição da força muscular (fraqueza) ou paralisia em face, membros ou em todo um lado do corpo: hemiparesia ou hemiplegia
- Dificuldade para falar ou para compreender a fala de outras pessoas: afasia, disartria
- Alterações visuais em um ou nos dois olhos: visão dupla (diplopia), perda da visão
- Tontura e alterações da marcha como dificuldade para andar, com perda de equilíbrio ou de coordenação
- Diminuição ou perda do estado de consciência (desmaio), crise convulsiva, náusea e vômito
- Dor de cabeça intensa e súbita sem causa específica
- Dificuldade de deglutição: disfagia
Incidência de AVC
É maior nos adultos idosos, mas pode ocorrer nos adultos jovens e na infância
Adultos Idosos
A ocorrência de AVC é maior nos adultos idosos, com a incidência prevalecendo entre os 70 e os 80 anos da vida. Isto ocorre porque é mais comum os adultos idosos apresentarem alterações cardiovasculares como pressão alta e alterações metabólicas como Diabetes Mellitus (DM), associadas a outros fatores que aumentam o risco de AVC como tabagismo, doenças crônicas e sedentarismo.
Adultos Jovens
Nos adultos jovens o AVC pode ocorrer associado a vários fatores de risco: distúrbios de coagulação, doenças inflamatórias e imunológicas, cardiopatias congênitas (como, por exemplo, o Forame Oval Patente – FOP), pressão alta (HAS), diabetes (DM), uso de drogas, consumo de álcool e uso de contraceptivos orais (CO).
Adultos Jovens
Nos adultos jovens o AVC pode ocorrer associado a vários fatores de risco: distúrbios de coagulação, doenças inflamatórias e imunológicas, cardiopatias congênitas (como, por exemplo, o Forame Oval Patente – FOP), pressão alta (HAS), diabetes (DM), uso de drogas, consumo de álcool e uso de contraceptivos orais (CO).
Leia alguns depoimentos:
Identificando e reconhecendo a “fala esquisita”: o depoimento da esposa de um afásico
Artur, diabético, hipertenso e acima do peso ideal, fazia parte do grupo de risco de AVC. Sua esposa identificou em sua fala esquisita um sintoma de AVC. E saiu correndo com ele do restaurante para o hospital. “Estávamos em um restaurante após um dia normal de trabalho, quando o Artur sentiu dificuldade em expressar qual era o prato que queria comer. Ele sempre tomava guaraná, mas pediu “uma branquinha”. Pensamos que ele estivesse brincando. Quando o garçom trouxe a pinga, Artur ficou confuso. Achou que estávamos brincando com ele. Ele não sentiu dor, a pressão não subiu, o diabetes estava controlado, não houve paralisação motora. A única dificuldade era no falar. Como percebemos que havia algo diferente, pois perguntando a ele as coisas mais básicas como por exemplo, seu nome, que dia era, ele já não sabia responder, resolvemos levá-lo ao hospital. Mas ele tinha consciência da situação, pois no trajeto até o hospital ele repetia que estava com fome (como bom gordinho que é) e que estava chateado por ter “atrapalhado” o jantar. Mas era enfático em dizer que não estava sentindo nada e que não sabia explicar o que estava acontecendo. Bem, o restante você já sabe o desfecho. Porém quero salientar que o fato de ele ter sido socorrido logo após, dentro do período crítico (se não estou errada é de 3 horas) é que proporcionou a ele uma recuperação mais rápida.”
Nem todo mundo conhece ou consegue identificar os SINAIS e SINTOMAS de um AVC.
Um médico anestesista diante de uma alteração visual conhecida como diplopia foi dormir, esperando que tudo estivesse bem na manhã seguinte. “Sábado à noite, depois da pizza e do vinho, Lauro, médico anestesista, adormeceu na sala de sua casa. Quando despertou, ainda de madrugada, sentiu-se estranho e com a visão dupla. Foi para o quarto, não contou nada para a esposa – também médica – e dormiu novamente. Na manhã seguinte levantou-se e persistiam os sinais de diplopia. Ao fazer a barba, tentou usar o barbeador na posição invertida. Já apresentava dificuldades de fala. Só então foi levado para o hospital. Lauro sofreu um AVCI com sequela de afasia. Tinha uma cardiopatia que desconhecia. Fazia parte do grupo de risco e não identificou o problema de visão como um sintoma de AVC.”
Quando a pessoa não faz parte do grupo de risco para AVC ou desconhece qualquer problema que a colocaria no grupo de risco
Renato sempre teve hábitos de vida adequados, não fumava ou bebia, não tinha histórico de hipertensão ou de diabetes ou outro fator de risco para AVC e fazia atividade física com frequência, mas apresentou alguns sinais que poderiam ou não indicar a ocorrência de um Acidente Vascular Cerebral, como: dor de cabeça, perda da visão, vômito e alterações na fala. Esses sinais poderiam ser apenas indicações de um mal estar, mas somados podem apontar a possibilidade de ocorrência de um AVC. O diagnóstico foi enxaqueca, mas Renato estava tendo um AVC. “Eu sou engenheiro eletricista, tenho 48 anos, nunca tive histórico de hipertensão ou de diabetes, sempre frequentei um clube para praticar atividades físicas, como corrida de 10 Km. Em abril de 2005, durante uma semana eu tive uma leve dor de cabeça – suspeitei de sinusite. Após isso, tive perda da visão do olho direito por vinte minutos, que voltou ao normal, mas me senti mal, vomitei e não conseguia elaborar frases, só palavras soltas. Resolvi ir para o hospital. No hospital, eu fui diagnosticado com enxaqueca e medicado, permanecendo ali por quatro horas. Ao sair do hospital, no percurso de volta para casa, tive uma convulsão. Fui então levado a outro hospital, e só aí foi diagnosticado um Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCI). Fiquei afásico. Após um ano, sem saber as causas do AVC, já que eu não apresentava nenhum fator de risco para AVC, meu médico neurologista indicou a avaliação de um médico hematologista, que identificou uma alteração em meu sangue, mais especificamente na hemoglobina, que pode causar trombose. Desde então, faço uso constante de anticoagulante e exames de sangue mensais para prevenir um outro AVC. Meus dois filhos também fizeram uma avaliação com o médico hematologista para avaliar a presença ou não dessa mesma alteração na hemoglobina. Após cinco anos do AVC fui aposentado por invalidez.
”Diante de qualquer sinal ou sintoma, a pessoa deve imediatamente procurar ou ser encaminhada para atendimento hospitalar. Trombolíticos e anticoagulantes podem diminuir a extensão dos danos. A cirurgia pode ser indicada para retirar o coágulo ou êmbolo, aliviar a pressão cerebral ou revascularizar veias ou artérias comprometidas.